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Mensagens

Reincidęncia /144/ A literatura, como toda a arte, é muito estranha: quando a amamos (cultivando-a), volta-nos as costas. Se nos despedimos dela, vem ter connosco... Outra vez? Porra! Sebastiăo Alba Albas , das Ediçőes quasi...
Génese Só porque as fontes se deram as măos E as montanhas foram dóceis A esse gesto menino, Nasceram os rios E porque os rios correram Como se corre a brincar, Nasceu o mar. E porque o mar Se fez imensidăo Povoada de medos e sereias, Nasceram as caravelas. E logo embarcaram nelas Vates e marinheiros ŕs măos cheias. Cláudio Lima Finalmente consigo ter o Vate DO Reino nas minhas măos... Recomenda-se vivamente... e é só deslocar-se à banca da editora Ausęncia na Feira do Livro de Braga
Palavras em Férias: O Palavras em Férias é um blog amigo do Baú, homónimo nas "Palavras", que anuncia o seu fim. Espero que mais não seja que uma confusão de palavras...
Vazio... Uma espécie de vida, uma espécie de morte. Um símbolo de dor, novidade, vazio... Vazio lento e dolente, mas agitado como um turbilhăo de ideias que fere a própria razăo. No fundo é um buraco, um poço profundo, extenso, aterrorizante, e que o atrai magneticamente, incontrolavelmente, para o abismo do ser. E depois a escrita! Ah, a escrita! A folha despojada que olha de relance, receoso. Aquela imensidăo de branco imaculado que aterroriza e causa mágoa na essęncia do ser que, no fundo, năo é. O medo de aceitar a ideia de vazio, o năo querer enfrentar o buraco que o consome a pouco e pouco, que o enche de um nada. Um nada que é forte, duro, invencível e fantasmagoricamente grande...
Do outro lado do espelho Digo-te só que espero. Houve um tempo em que, para mim, esperar foi uma espécie de arte. (esperar por tudo: pela manhă, pela noite, pelo carteiro, pelo natal, pelos amigos... esperar só porque era bom esperar, porque fomentava pacięncia, porque era divino, porque era uma luta, porque implicava um qualquer objectivo) Agora espero sem arte, espero sem sentir qualquer alegria em fazę-lo. É mais fácil assim, deixar tudo suceder-se... Sem ninguém, sem nada me notar.
Hoje sou assim... Com bandarilhas de esperança afugentamos a fera estamos na praça da Primavera. Nós vamos pegar o mundo pelos cornos da desgraça e fazermos da tristeza graça. Tourada , Ary dos Santos
Sons do Sol Subitamente lembro tantas coisas diferentes, desligadas, desabituais. Cheiro café, maresia, algodăo doce. Vejo movimento, dança, vida, correria. Oiço música, vento, mar. Saboreio chocolate, menta, bolacha. Sinto calor, alegria, paz. Tudo porque hoje acordei com os sons do sol. Tudo porque abri os olhos e vi um chilrear rosa pálido a esgueirar-se pela janela. Tudo porque um latido azul forte e esquivo conseguiu passar pela frincha da porta...
Escuro Acordava a meio da noite assustada, calada, sufocada pelo silęncio que năo era nosso. Levantava-me e as esquinas barravam-me o caminho, a sala tinha-se mudado para a cozinha, as sombras disformes e atrozes moviam portas no escuro...
Cavalo à Solta Em ti respiro em ti eu provo por ti consigo esta força que de novo em ti persigo em ti percorro cavalo à solta pela margem do teu corpo. Ary dos Santos (com Fernando Tordo) Porque já não se fazem canções assim... E porque eu tenho saudades.
Submersa Toco no alumínio da janela. Frio. Fecho os olhos e sinto de novo as águas gélidas a avassalarem-me. Sinto sal nos cabelos, na cara, nas pernas, na barriga. Há coisas do mar por todo o lado. As algas prendem-me as pernas, as estrelas puxam-me os cabelos. Vejo mal e vejo tudo verde, tudo opaco, tudo salgado. Quero ir embora, agora. E estou submersa.
Ŕs vezes estamos, năo vivemos Ŕs vezes estamos, năo vivemos. A alma dissocia-se do corpo, desvanece-se em pensamentos, tristezas e reflexőes sobre uma vida que nem sempre dá o que nós queremos. Ŕs vezes estamos, năo vivemos. Porque năo prestamos atençăo a nada, vivemos apenas numa dimensăo que nós próprios criamos e na qual sentimos que podíamos ficar para sempre. Estamos ali, vemos, ouvimos, percebemos, mas năo estamos ali. Estamos simplesmente, năo vivemos. Ŕs vezes estamos, năo vivemos. Hoje é um desses dias, em que estou mas năo vivo.
Regresso Respirar. Suspirar. Não pensar. Sentir. Sentir a pressão do corpo na cama estática. Esquecer a cidade. Esquecer a luz falsa, a agitação, a chuva, as pessoas, o mundo todo.
Suspiro... "(...) Não me satisfazendo o mundo, era sempre possível usar da imaginação para melhorá-lo. Não será o mundo afinal coisa minha?, não o trago porventura no meu cérebro?, não existirá apenas enquanto as minhas sensações existirem?, não desaparecerá comigo quando eu desaparecer? Assim, miúdo, propus-me fazer da gélida insatisfação um cálido frémito de luz, das minhas prolongadas mágoas e fugazes alegrias um cacho de histórias que desse algum sentido ao quotidiano, que me soltasse a alma. Os Putos são o resultado desse anseio. (...)" Altino do Tojal Pudesse eu sentir sempre o que sinto de cada vez que saboreio palavras de Altino do Tojal... É perante esta simples e pura beleza que acredito que tudo é possível... Até mesmo... Isso.
Tristeza Invadiu-me, pé ante pé. Minto, foi arrasadora a sua chegada. Rápida, doentia e eficiente, assaltou-me e confundiu-me o pensamento, agonizando por outro lado o coraçăo. A alegria está ali, bem perto, mas năo vejo o caminho. Sinto-me no meio do pântano, ŕ procura de algo, da ponte ou da jangada salvadora. Mas sei que a jangada nunca chegará, e que a ponte está longe para ser construída. Era pedir demais para um ser fútil como eu.
Ora bem... Năo tenho muito jeito nem para despedidas nem para entradas de rompante. Por isso, digo apenas que espero contribuir para a qualidade que este blog já demonstrava sem a minha presença. Obrigado Jack e Calisto. Muito mesmo. Prometo que darei o meu melhor.