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lento leve

lento leve noto os membros anteriores transformarem-se em asas
o corpo cobrir-se de penas e a boca terminar em bico e vou
desenhar a seqüęncia de movimento do voo de umha ave
com os braços estendidos ŕ janela do meu quarto

bato bato cadencioso ao borda deste abismo voluntário e grato
e basta um impulso breve com as pernas para elevar-me
mas... qual ave hei de ser antes de mergulhar no ar...
nom é, contudo, isso saber fundamental

perseguir os perfis das asas do aviom desde estas dunas
em delta em flecha ou supersónicas lá em cima para
lograr talvez ser tam só um aeróbata feliz
no tempo em que os aeróbatas
passaram já de moda...




Carlos Quiroga, em A Espera Crepuscular (Viagem ao Cabo Nom), das Ediçőes Quasi

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