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Mensagens

Voley: "O jogo do voleibol foi introduzido por William G. Morgan, em 1896, na cidade norte-americana de Springfield, no Massachusetts. Desde então, tornou-se um dos desportos colectivos mais apreciados e praticados em todo o mundo, com competições oficiais a serem disputadas em inúmeros países." A palavra voley é, provavelmente, um diminutivo de voleibol. Mais um serviço público com o apoio da Diciopédia
Nevoeiro (ou Nota ao Contexto Político Actual) "Nem rei nem lei, nem paz nem guerra, Define com perfil e ser Este fulgor baço da terra Que é Portugal a entristecer - Brilho sem luz e sem arder, Como o que o fogo-fátuo encerra. Ninguém sabe que coisa quer. Ninguém conhece a alma que tem, Nem o que é mal nem o que é bem. (Que ânsia distante perto chora?) Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Portugal, hoje és nevoeiro... É a hora!" Fernando Pessoa em A Mensagem
Poema Depus a máscara e vi-me ao espelho. - Era a criança de há quantos anos. Não tinha mudado nada... É essa a vantagem de saber tirar a máscara. É-se sempre a criança, O passado que foi A criança. Depus a máscara, e tornei a pô-la. Assim é melhor, Assim sem a máscara. E volto à personalidade como a um términus de linha. Álvaro de Campos
Sophia (1919 - 2004) Naquele Tempo Sob o caramachão de glicínia lilaz As abelhas e eu Tontas de perfume Lá no alto as abelhas Doiradas e pequenas Não se ocupavam de mim Iam de flor em flor E cá em baixo eu Sentada no banco de azulejos Entre penumbra e luz Flor e perfume Tão ávida como as abelhas Sophia de Mello Breyner Andresen , Abril de 98
O me! O life! O Me! O life!... of the questions of these recurring; Of the endless trains of the faithless - of cities fill’d with the foolish; Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I, and who more faithless?) Of eyes that vainly crave the light - of the objects mean - of the struggle ever renew’d; Of the poor results of all - of the plodding and sordid crowds I see around me; Of the empty and useless years of the rest - with the rest me intertwined; The question, O me! so sad, recurring - What good amid these, O me, O life? Answer That you are here - that life exists, and identity; That the powerful play goes on, and you will contribute a verse. Walt Whitman, Leaves of Grass
Vozes Sempre que descubro que concordo comigo mesmo a cem por cento, não escrevo uma história; escrevo uma carta zangada a dizer ao meu governo o que é que deve fazer (se bem que não me ouçam). Mas se descubro mais do que uma razão dentro de mim, mais do que uma voz, às vezes acontece que as diferentes vozes se desenvolvem e transformam em personagens e, nessa altura, sei que uma história está em gestação dentro de mim. Amos Oz
Sonho O sonho é ver as formas invisíveis Da distância imprecisa, e, com sensíveis Movimentos da esperança e da vontade, Buscar na linha fria do horizonte A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte - Os beijos merecidos da Verdade. Fernando Pessoa
Junho Cerejas, sol, calor, luz, noite, estrelas, brisa, amigos, risos, paz, alegria, gelados, nuvens, algodão, algodão doce, festas populares, São João, balões, fogo de artifício, incêndio, farturas, sardinhas assadas, multidões, seis, meio, Verão, mosquitos, melgas, descanso, ventoinhas, barulho...
Para ti "E como de costume vais passar e perguntar-me como estão os teus olhos, hoje? Sorrirei, e como acontece com a flor que por um triz se ergue no pântano, tentarei tocar-te pela primeira vez, rendido à evidência da tua grandeza. Se não me reconheceres no dia em que passar por ti, aperta as tuas mãos nas minhas, para que fiquem juntas. Se vieres de corpo autêntico não ousarei tocar-te. Não pode ser de outro modo: que o corpo permitisse o corpo. Também agora os olhos impedem-me de avançar. Não recordo as palavras. Os teus olhos sinceros. Há; nos teus olhos uma grandeza que não sei. Quem sabe apenas uma falsidade, como tantas outras? Não, porque os teus olhos permanecem aí, por entre o movimento, com o tempo só para eles. Peço-te que passes outra vez - isso agrada-me - e que tragas os olhos sem regresso. Traz também a noite, para nos debruçarmos para...
As Palavras As palavras passam através de mim, intactas, verdadeiras, naturais, puras. Nada lhes amplio ou suavizo, nada lhes acrescento ou retiro. Sou como um leito encoberto, profundo e triste, por onde o rio das palavras, imenso, cintilante e alegre segue. As palavras s?o para mim águas cristalinas e diáfanas. S?o a mais simples das fórmulas químicas, composta por pequenos átomos perceptíveis que s?o as letras. Os sons resultam do percurso espontâneo deste rio, dos ruídos animados dos salpicos e gotículas que embatem nas rochas que s?o os meus pensamentos. Este rio interminável, de palavras que correm e escorrem através de mim, encontra a foz numa página vazia, num ecr? em branco, numa lousa negra, num discurso cheio… E assim, o mar deste meu rio de palavras é todo o mundo que sou e todo o mundo que crio, em todo o mundo que vivo, todos os dias.
Texto de Abertura "O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma. Confrontados com a aus?ncia de tudo, os homens abst?m-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros. Existe no nada essa ilus?o de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes." Mia Couto, em Vozes Anoitecidas
Os Versos Que Te Fiz Deixa dizer-te os lindos versos raros Que a minha boca tem p'ra te dizer! S?o talhados em mármore de Páros Cinzelados por mim p'ra te oferecer. T?m dol?ncias de veludos caros, S?o como sedas pálidas a arder... Deixa dizer-te os lindos versos raros Que foram feitos p'ra te endoidecer! Mas, meu Amor, eu n?o t'os digo ainda... Que a boca da mulher é sempre linda Se dentro guarda um verso que n?o diz! Amo-te tanto! E nunca te beijei... E nesse beijo, Amor, que eu te n?o dei Guardo os versos mais lindos que te fiz! Florbela Espanca
Imagine Imagine there's no heaven, It's easy if you try, No hell below us, Above us only sky Imagine all the people Living for today... Imagine there's no countries, It isn't hard to do, Nothing to kill or die for, No religion too Imagine all the people Living life in peace... You may say I'm a dreamer, but I'm not the only one, I hope some day you'll join us, And the world will be as one Imagine no possesions, I wonder if you can, No need for greed or hunger, A brotherhood of man, imagine all the people Sharing all the world... You may say I'm a dreamer, but I'm not the only one, I hope some day you'll join us, And the world will live as one Jonh Lennon Um tributo ao momento mais comovente do dia de ontem, no Rock in Rio .
Apontamento A minha alma partiu-se como um vaso vazio. Caiu pela escada excessivamente abaixo. Caiu das m?os da criada descuidada. Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso. Asneira? Impossível? Sei lá! Tenho mais sensaç?es do que tinha quando me sentia eu. Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir. Fiz barulho na queda como um vaso que se partia. Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada. E fitam os cacos que a criada deles fez de mim. N?o se zanguem com ela. S?o tolerantes com ela. O que era eu um vaso vazio? Olham os cacos absurdamente conscientes, Mas conscientes de si mesmos, n?o conscientes deles. Olham e sorriem. Sorriem tolerantes ? criada involuntária. Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas. Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros. A minha obra? A minha alma principal? A minha vida? Um caco. E os deuses olham-no especialmente, pois n?o sabem por que ficou ali. Álvar...
Sem título "N?o sei de onde vim, nem porque vim, nem porque irei para onde vou. Só sei que aqui estou... se é que estou." António Leite
O acendedor de lampiões De tanto bater à porta Da noite que à noite cai, Ninguém com ele se importa Nas ruas por onde vai. De volta a casa, não diz Como aprendeu a acender Estrelas que o fazem feliz Porque não querem morrer. Vergílio Alberto Vieira, do livro inédito Para Chegar a Uma Estrela in Revista defacto , n.º12, Maio 2004